Audiência pública reúne vozes da comunidade para fortalecer políticas públicas para pessoas autistas em Foz do Iguaçu

Encontro reuniu especialistas, profissionais e famílias para discutir avanços, desafios e propostas voltadas ao diagnóstico, atendimento e inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista

O debate sobre políticas públicas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem ganhando cada vez mais espaço em Foz do Iguaçu. Segundo o Censo 2022, o município conta com cerca de 4.150 pessoas autistas — aproximadamente 1,5% da população.
Com o objetivo de ampliar o diálogo e buscar soluções concretas, a Câmara Municipal realizou, nesta terça-feira (14), uma audiência pública dedicada ao tema. A iniciativa atende ao requerimento nº 70/2025, de autoria da vereadora Anice Gazzaoui, e reuniu profissionais, gestores públicos, especialistas, familiares e pessoas autistas.

Garantir direitos sem depender da judicialização

Durante o encontro, foi reforçada a necessidade de tornar o acesso a direitos mais ágil e efetivo, evitando que a judicialização seja o único caminho para pessoas autistas e suas famílias.

A advogada Vanessa Fioreze, especialista em Direito da Saúde, destacou que o aumento dos diagnósticos — inclusive na vida adulta — exige maior preparo do poder público e do Judiciário. Ela ressaltou que o autismo não é uma doença, mas uma condição que demanda acompanhamento contínuo.

“Apesar dos avanços, ainda existem lacunas que precisam ser corrigidas. Investir no cuidado desde a infância é essencial para promover autonomia e qualidade de vida”, afirmou.

Parcerias e diagnóstico precoce como prioridade

Outro ponto central foi a ampliação do acesso ao diagnóstico precoce. Leonardo Lugon, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, chamou atenção para os desafios enfrentados pelas famílias.

Segundo ele, é fundamental fortalecer parcerias — inclusive com a rede privada — e investir em políticas sociais que garantam melhores condições de vida.
“Precisamos de ações concretas que ampliem o acesso ao diagnóstico e ao cuidado, além de apoiar as famílias em diferentes dimensões”, destacou.

Centro TEA: apoio especializado e inclusão

A audiência também apresentou iniciativas em andamento, como o Centro TEA (CETEA), projeto piloto da Secretaria Municipal de Educação.

A proposta oferece atendimento especializado a crianças autistas, com foco no desenvolvimento, inclusão e apoio às famílias. O trabalho envolve profissionais qualificados e ações integradas com a comunidade.

Além disso, foi ressaltada a importância da avaliação psicoeducacional na rede municipal, que permite identificar necessidades dos estudantes e encaminhá-los para serviços de saúde e assistência, garantindo intervenções mais precoces — especialmente em contextos de vulnerabilidade.

Relatos reforçam desafios e urgência de políticas efetivas

A participação popular trouxe relatos que evidenciam a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao atendimento, especialmente para adultos autistas, que ainda enfrentam grandes barreiras.
Também foi destacada a dificuldade de muitas famílias em obter laudos e iniciar terapias, o que pode comprometer o desenvolvimento das crianças e o suporte no ambiente escolar.

Profissionais e familiares reforçaram a importância da integração entre saúde, educação e assistência social, garantindo um cuidado contínuo ao longo da vida.

Cuidado contínuo, dignidade e inclusão

As falas convergiram para um ponto central: o autismo exige acompanhamento permanente e políticas públicas estruturadas, que garantam dignidade, cidadania e qualidade de vida.

O fortalecimento do diagnóstico precoce, a ampliação do atendimento e a integração entre áreas foram apontados como caminhos essenciais para avançar na construção de uma cidade mais inclusiva.

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