O legado das águas: o Macuco Safari como indutor do desenvolvimento regional
Com quatro décadas de atuação, o empreendimento de Ademir Fernandes transcende o entretenimento náutico para se consolidar como um motor socioeconômico que sustenta 350 empregos diretos, mobiliza uma rede de 20 mil profissionais de transporte e irriga a economia da região trinacional com um modelo de desenvolvimento sustentável e distribuição de renda.
Redação Almanaque Futuro com imagens de acervo Macuco Safari
Falar sobre o Macuco Safari exige um olhar que ultrapasse a névoa das Cataratas e a adrenalina das corredeiras. Embora o espetáculo das águas seja o protagonista visual, a verdadeira força desse empreendimento reside em terra firme, na complexa teia socioeconômica construída ao longo de quatro décadas. O que nasceu como uma proposta audaciosa de Ademir Fernandes consolidou-se, hoje, como uma das vigas mestras da economia de Foz do Iguaçu no setor de turismo, sustentando uma cadeia produtiva que alimenta milhares de famílias e impulsiona dezenas de setores correlatos de forma silenciosa e persistente.
O impacto de uma estrutura desse porte não se limita ao perímetro do Parque Nacional. O Macuco funciona como o coração de um organismo vivo, onde cada batida movimenta um sistema logístico monumental. Para que se tenha uma ideia da dimensão dos números que refletem essa atividade, a empresa conta com um cadastro de cerca de 20 mil pessoas atuando apenas na área do transporte. São motoristas de aplicativos, remises argentinos e taxistas dos três países que compõem a região Trinacional, além do suporte de pequenas, médias e grandes empresas do segmento. Esse fluxo contínuo de passageiros garante a saúde financeira de postos de combustível, oficinas mecânicas, seguradoras e agências de viagens, criando um ciclo virtuoso de consumo. O Macuco Safari não é um produto isolado na prateleira; ele é o argumento fundamental para a venda de pacotes em Foz e em vários estados brasileiros, sendo um dos principais responsáveis por aumentar a permanência dos visitantes no Destino Iguaçu.
No âmbito social, a longevidade da empresa permitiu a formação de uma verdadeira escola de civismo e técnica. Com um quadro de aproximadamente 350 colaboradores diretos, o Macuco Safari prioriza a valorização da “prata da casa”. Muitos profissionais que hoje ocupam postos de comando ou de pilotagem especializada iniciaram suas trajetórias em funções de base, forjando um conhecimento prático que o mercado acadêmico dificilmente consegue suprir. Ao investir na qualificação interna, a empresa promove uma ascensão social real. São guias bilíngues, biólogos e técnicos de manutenção que construíram suas vidas, adquiriram patrimônio e educaram seus filhos sob o lastro dessa atividade. É a dignidade do trabalho transformando a realidade de bairros como as Vilas Yolanda, Carimã e o Porto Meira, onde a sede da empresa está instalada, alcançando ainda localidades em distritos vizinhos, como Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu.
“O alcance social das operações do Macuco Safari, desde a sua fundação, é algo que transcende métricas convencionais, mas que se revela nitidamente aos olhos do mundo. Existe uma percepção clara de que o nosso sucesso está intrinsecamente ligado ao compromisso com o desenvolvimento e, acima de tudo, ao sentimento de pertencimento. É essa entrega dos nossos colaboradores, ao transformarem um roteiro técnico em pura emoção, que define a nossa empresa. Mostramos resultados de forma ampla, onde a prosperidade do negócio caminha junto com a valorização da nossa gente”, acentua Juliane Pereira Nunes, diretora do Macuco Safari.
Os recursos derivados dessa cadeia trazem para a região uma distribuição de renda de milhões de reais, construída ao longo de décadas de operações no leito do Rio Iguaçu. A esse impacto financeiro, soma-se um patrimônio imensurável: as imagens maravilhosas captadas durante os passeios, que ajudaram a potencializar o destino globalmente, e o constante investimento da empresa em cortesias para impulsionar a visitação. A sustentabilidade, neste contexto, abandona o discurso teórico e assume um papel pedagógico essencial. Ao abrir as portas para alunos da rede municipal, a empresa transforma o rio em uma imensa sala de aula. Sob a orientação de biólogos da casa, as crianças compreendem a importância da preservação através de ações práticas, como as jornadas de limpeza das margens e o plantio de espécies nativas, plantando o sentimento de pertencimento na comunidade local.
Ao completar 40 anos de operação ininterrupta, o empreendimento prova que o desenvolvimento econômico e o propósito social podem caminhar juntos. Diferente de grandes grupos internacionais, o capital gerado por empresas com raízes locais tende a ser reinvestido na própria região, retroalimentando o comércio e os serviços de proximidade. O sucesso do Macuco Safari deve ser lido como um estudo de caso sobre o desenvolvimentismo regional e a distribuição de renda produtiva. O legado construído aqui não se mede apenas pelo volume de turistas, mas pela solidez de uma estrutura que gera oportunidades, garante um complemento de renda seguro para milhares de pessoas e eleva o nome de Foz do Iguaçu. É a prova de que, quando o turismo é praticado com seriedade, ele se torna o caminho mais curto para a prosperidade de todo um povo.

