O mundo em chamas e o quintal em brasas
Entre botes "cirúrgicos" no Oriente Médio e as manobras de patente na política de Foz, o Corvo afia o bico para o que der e vier.
A “cirurgia” que virou açougue
O Cônsul-geral de Israel no Brasil descreveu a campanha como a mais “cirúrgica” da história. Se considerarmos que o paciente (o Oriente Médio) está perdendo membros, órgãos e a alma no processo, talvez a metáfora esteja correta — mas no sentido de uma amputação feita com um machado cego. Com 742 civis mortos no Irã em uma única rodada de “precisão”, fica a dúvida: ou o bisturi é um míssil de tonelada, ou o conceito de “anatomia humana” nos quartéis-generais anda bem peculiar.
O otimismo de Netanyahu e o diagnóstico de Trump
Enquanto Netanyahu garante que a guerra “não durará anos” (o que, vindo de um conflito de décadas, soa como um médico dizendo que a dor vai passar assim que o paciente parar de respirar), Donald Trump resolveu o debate diplomático com sua elegância habitual: quem critica o bombardeio é “demente”. É o triunfo da diplomacia moderna: se você não concorda com a chuva de ferro, o problema é a sua saúde mental.
O efeito dominó do “impede-ataque”
Israel ocupa o Líbano para “impedir ataques”, o que faz o Hezbollah atacar bases israelenses, o que faz Israel bombardear Teerã, o que faz o Irã atacar a Arábia Saudita… A lógica da paz na região virou aquela briga de bar onde alguém joga um copo para “esfriar os ânimos” e termina com o prédio pegando fogo. No fim das contas, o único “local estratégico” que ninguém parece querer ocupar é a mesa de negociações.
Vamos mudar de assunto… barbaridade!
Padre Germano
Esta coluna recebeu diversas manifestações expressando satisfação diante das homenagens prestadas ao Padre Germano Lauck. Agradeço a leitura. O muito que se escreve sobre ele ainda é pouco diante de sua importância para Foz do Iguaçu.
Hospital
Francamente, corre um frio na espinha toda vez que surgem lamentações acerca do atendimento ou problemas na unidade que leva o seu nome. Quando a notícia é boa, escrevemos que aconteceu no Padre Germano; quando é ruim, foi no Hospital Municipal. Infelizmente, os fatos negativos predominam, o que deve cutucar a boa alma do nosso padre, por onde ele esteja.
O caso das cartilhas
Isso, pelo visto, vai longe. Mas a pedagogia atuante garante que as aulas de inglês seguem em bom ritmo e há quem acredite que ocorram bem melhor sem as cartilhas. “Deixa quieto”, disse uma diretora a este colunista. Difícil deixar quieto quando o estrilo envolve a grana pública.
Na Câmara
Dr. Ranieri assume a responsabilidade da interlocução no Legislativo, em nome do Executivo. É o novo líder do prefeito na Casa de Leis. E ele assumiu a batuta de quem? Se perguntarem no gabinete do prefeito, muita gente não sabe que a função estava sob a responsabilidade do Cabo. Bom, Cabo representando General, para muitos, é algo que não encaixa bem no anúncio. Se fosse um coronel, até ia… a patente do odontólogo é mais ascendente.
“Milico”
Prezado Corvo, a expressão “milico” é pejorativa? Pergunta uma leitora e o Corvo responde: o termo “milico” é usado para se referir a militares e depende muito do contexto e da intenção de quem fala. No entanto, na grande maioria das vezes, o termo é carregado de uma conotação pejorativa ou irônica. Originalmente, era apenas uma gíria informal, porém, ao longo da história brasileira — especialmente durante e após o Regime Militar —, o termo passou a ser usado por críticos das Forças Armadas com a intenção de desumanizar ou reduzir o profissional à sua farda, sugerindo um comportamento autoritário ou truculento.
Por outro lado…
Curiosamente, entre os próprios militares, o termo pode perder o peso negativo. É comum ver soldados ou oficiais de baixa patente usando “milico” entre si como uma gíria interna ou autodepreciação afetuosa. Exemplo: “Vida de milico não é fácil”. Nesse caso, como há um sentimento de pertencimento, não é visto como ofensa. Em algumas regiões do Brasil, especialmente no Sul, o termo às vezes é usado de forma quase descritiva para se referir a qualquer agente de segurança (como policiais militares), sem necessariamente querer ofender. Mas, mesmo nesses casos, é uma palavra de baixo calão social — ou seja, não é adequada para ambientes formais. Portanto, cuidado.
“Milico” no poder
Pois é, a entrevista do prefeito aos microfones da Rádio Cultura, no programa Contraponto, ainda continua rendendo comentários. Outro leitor perguntou: “Corvo, diz aí o que pensa sobre ‘milicos’ no poder em Foz, um ano e dois meses depois da posse?”. Há militares aposentados em várias prefeituras espalhadas pelo Brasil e, no geral, se comportam como estreantes afoitos, fazendo exercícios à beira do gramado. Boa parte entra, corre até a grande área esperando fazer um gol de bicicleta; erra a bola e, ao cair, quebra o pescoço. Em Foz, o militar aposentado prefeito ainda está amarrando as chuteiras e parece não ser chegado em espetáculo. Os demais, componentes do governo, estão mandando ver.
Mandou ou não?
A última edição do Tribuna Popular está roubando a cena. Segundo o semanário, o povo da Câmara alinhado ao governo municipal vota porque o General manda. Se verdade ou ficção, no mínimo o assunto anda balançando as mesas dos botecos; disso ninguém duvida.
A festança do Vermelho
Não venham dizer que festejar aniversário em ano eleitoral é pecado. O deputado sempre foi chegado em comemorar a passagem de idade com arrasta-pé dos bons, gaita, churrasco, fandango e, se for o caso, um bom chimarrão. O que o Vermelho nunca escondeu foi a festa, e a do último sábado até que foi um pouco tímida em relação às anteriores: havia apenas uns mil e quinhentos convidados, levando em conta a falta de vagas de estacionamento em todo o perímetro. Este colunista atendeu ao convite e foi conferir a badalação. A cidade toda estava lá… se é caso de usar a força da expressão. A gente diz isso quando encontra uma porção de amigos de uma só vez. Saúde, Vermelho!
Dona Eliane Schaefer Ela estreou muito bem, obrigado, o quadro “Cultura em Movimento” que integra o Jornal da Manhã na emissora de maior audiência da região, sintonizada nos 820 AM — leia-se Rádio Cultura de Foz do Iguaçu. Ontem entrevistou a Dra. Andressa Tomé e hoje conversa com Dalzira Silveira, empresária e presidente da Casa Rotária Grande Lago, que organizou a Canja do Galo Inácio!
Uma boa terça-feira a todos!

Rogério Romano Bonato foi ver de perto a festa de aniversário do Vermelho e se confessa indignado com os conflitos do Oriente Médio. A coluna No Bico do Corvo é publicada com exclusividade pelo Almanaque Futuro e meios eletrônicos da Rádio Cultura de Foz do Iguaçu.
