No Bico do Corvo: balanço geral, um “check-up” do prefeito de Foz em um ano de dois meses de administração

Entre as manobras no asfalto e o salto de 300 leitos na saúde, Foz do Iguaçu equilibra a expectativa por grandes obras. Na coluna a solidariedade em torno de Eduardo Werneck. A renovação do rádio setentão também é notícia.

General no Contraponto

A conversa com o General Silva e Luna, prefeito de Foz do Iguaçu, no programa Contraponto, da Rádio Cultura, durou quase uma hora. Na bancada estavam o âncora Nelso Rodrigues, os interlocutores Natália Peres, Joel de Lima e este humilde colunista, que vos repassará apenas alguns pontos de destaque, uma vez que, batendo recordes de audiência, o bate-papo com a autoridade máxima do município está nas redes sociais, inteiro ou fatiado ao gosto do freguês.

 

Aparência geral

Depois de um ano e praticamente dois meses de exercício eletivo, o militar aposentado parece estar bem mais ambientado com a política; sentiu-se em casa, sempre bem-humorado, até com as saias justas. Se bem que a interlocução foi um pouco cirúrgica em razão da demanda de tempo. Foi um pingue-pongue de rápidas perguntas e respostas mais ligeiras ainda. Isso ajudou bastante a transpassar todos os temas. Os pontos não abordados foram os que andam bem, como o Turismo, Segurança e a área Cultural, sobretudo após o Carnaval, que agradou aos foliões e munícipes de um modo geral.

 

Projetos & Projetos

O prefeito Silva e Luna fez um rápido mapa de como empreende a gestão. Ficou o primeiro ano avaliando a máquina pública e entendeu que ela é uma Ferrari com motor de Fusca, ou seja, bonita e ambiciosa por fora, mas requerendo ajustes e mudanças embaixo do capô. E foi nisso que ele trabalhou, com erros e alguns acertos — não sejamos injustos. Passou o primeiro ano na corda bamba, descascando o abacaxi da herança. Trocou uma penca de secretários e diretores, e isso é um sintoma da intensa regulagem do motor; paralelamente, conseguiu formatar vários projetos e encaminhá-los, muitos dos quais na lista das expectativas da população, como a Beira Foz, os trevos do Jupira e Charrua, metas para o asfaltamento e a construção de uma nova sede para a Prefeitura, abrigando todas as secretarias. Espera iniciar todas as obras que considera estruturantes ainda neste ano e concluir algumas até o final do mandato.

 

A cara do mandato

Em suma, o desenho do governo é planejar no primeiro ano, encaminhar os projetos e iniciar as obras no segundo, e cumprir as etapas no terceiro e quarto. Na verdade, descontando seis meses de cada ano eleitoral, o mandato dura apenas três exercícios. Isso é fato. O gesso eleitoral rouba um ano de prefeitos, governadores e até mesmo do presidente da República, tamanhas as limitações nos períodos que antecedem as urnas. Por essas e outras, há uma discussão para mudar o tempo de permanência nos poderes Executivo e Legislativo para cinco ou seis anos. Este é um debate dos mais antigos.

 

O tal do asfalto

A pavimentação ocupou grande parte da entrevista. O General é engenheiro e reconheceu as dificuldades de manutenção nas ruas e avenidas de Foz. Ele disse que há um sério problema com as camadas inferiores na pavimentação e isso só será resolvido executando o trabalho na raiz. Em verdade, há muita gente entendida no assunto que reconhece que a maioria das ruas de Foz do Iguaçu recebeu camadas de piche em cima da pavimentação poliédrica, e isso é mesmo um problemão. As gerações mais antigas lembram que Dobrandino Silva, por exemplo, abriu frentes de gente lascando pedra e assentando-as por todos os bairros; os prefeitos que vieram depois dele usaram recursos de pavimentação destinados pelo Estado para cobrir os velhos calçamentos.

 

O asfalto movediço

Silva e Luna disse estar muito contrariado com o resultado dos serviços, tanto que mexeu na pasta e deve continuar mexendo. Para ele, a situação vai melhorar bastante quando o trânsito pesado sair do centro da cidade, e isso está para acontecer em breve. Como será a vida dos caminhoneiros, aí são outros quinhentos. A maioria terá que seguir pela Perimetral Leste e retornar sete quilômetros até o atual Porto Seco, e será assim até o final das obras da futura estação aduaneira. Há quem diga que será uma rebordosa, com caminhões se espalhando até pela Vila A, porque a BR-277 não dará conta das manobras. Uma operação assim, no fim, pode resultar no atraso da liberação total da Ponte da Integração, porque as obras do lado paraguaio ainda não estão concluídas. Falta terminarem uma ponte.

 

Demissões e contratações

Obviamente, a reforma administrativa não ficou de fora do encontro com o prefeito aos microfones da Rádio Cultura setentona. Ele cifrou que segue no observatório das possíveis mudanças e arranjos. Também deve efetivar novos secretários em áreas como Obras, Planejamento e, muito possivelmente, na área da Comunicação Social. Mas a conversa sobre Saúde é que rendeu as melhores notícias, como a implantação de um hospital regional com 300 leitos. Os mais entendidos dizem que a informação valeu o programa todo.

 

O salto de escopo

A decisão de triplicar a capacidade do novo hospital estadual em Foz — saltando de 100 para 300 leitos — é mais do que uma vitória logística; é uma demonstração do “tricô político” da gestão Silva e Luna. Ao garantir que o Estado assuma não apenas a obra, mas o custeio e a contratação, o prefeito desonera o caixa municipal e resolve um gargalo histórico. O reflexo imediato dessa “musculatura” estatal é o provável engavetamento da transferência do Hospital Municipal para a Unila. Com o reforço de uma nova unidade de alta complexidade e a ampliação de polos como o Porto Meira, a federalização deixa de ser uma tábua de salvação para se tornar um processo burocrático desnecessário. A gestão aposta na autonomia e na descentralização (Vila Portes, Morumbi e Porto Meira) como o novo mapa da saúde iguaçuense.

 

O legado de infraestrutura

A fala do General Silva e Luna sobre a situação precária do atual Hospital Municipal — com goteiras e falta de alvará dos Bombeiros — serve de contraste para o futuro que começa em maio. A estratégia é clara: enquanto o Estado constrói o gigante de 300 leitos na Vila Portes, o município utiliza recursos emergenciais (R$ 7,7 milhões) para “estancar o sangue” da estrutura antiga. A construção de uma policlínica no Morumbi II, com economia de licitação (R$ 5 milhões abaixo do esperado), reforça a imagem de austeridade que a administração deseja projetar. Para o cidadão, o impacto é direto: menos viagens para outras cidades e mais especialidades perto de casa. Se as obras seguirem o cronograma, Silva e Luna entregará não apenas prédios, mas uma nova hierarquia de atendimento para desafogar as filas que há décadas castigam a fronteira.

 

Corrente de fé

A cidade se une por Eduardo Werneck. Foz do Iguaçu amanheceu com o coração apertado. O trágico acidente que resultou na explosão de um apartamento e deixou o personal trainer Eduardo Werneck Stevens, de 31 anos, em estado gravíssimo, transcendeu as manchetes para se tornar uma mobilização de afeto e esperança em cada esquina da cidade. O impacto da explosão, embora assustador, acabou ficando em segundo plano diante da figura do jovem Eduardo. Conhecido por seu carisma e dedicação à saúde de seus alunos, ele agora enfrenta a maior batalha de sua vida. Com 80% do corpo atingido por queimaduras de segundo grau, a transferência para o Hospital Evangélico Mackenzie, em Curitiba — referência absoluta no tratamento de grandes queimados — é o passo técnico necessário para sua recuperação.

 

Firme, Dudu!

Para além da medicina de alta complexidade que o espera na capital, o que se vê em Foz é uma medicina da alma. As redes sociais foram inundadas por mensagens de apoio, orações e uma corrente de fé que une diferentes crenças em um único objetivo: a pronta recuperação do “Dudu”. Neste momento, a dor da tragédia dá lugar à força da coletividade. Foz do Iguaçu não está apenas acompanhando um boletim médico; está enviando, em pensamento e prece, a energia necessária para que esse jovem tão querido retorne para casa. Que a técnica dos médicos em Curitiba seja guiada pela força dessa corrente que nasceu aqui, na fronteira.

 

Tradição e renovação

Nesta segunda-feira, 2 de março, a Rádio Cultura de Foz do Iguaçu — uma das emissoras mais emblemáticas abaixo da linha do Equador — ganha um reforço para celebrar suas sete décadas de história. A jornalista Eliane Schaefer, minha querida “patroa”, assume o microfone para o quadro “Cultura em Movimento”, integrando a reta final do tradicional Jornal da Manhã, ancorado pelo competentíssimo Josué Calebe. Para Eliane, o desafio é a realização de um sonho de infância; para a emissora, sob a batuta do Dr. Nelso Rodrigues, é um movimento estratégico de renovação. Unir a história da rádio que narrou a construção de Foz, desde antes da Ponte da Amizade e de Itaipu, com o dinamismo de uma jovem jornalista é um dos presentes que o ouvinte terá neste ano.

 

Do impresso ao microfone

Quem acompanha a trajetória de Eliane Schaefer desde os tempos de A Gazeta do Iguaçu e do portal Almanaque Futuro conhece sua versatilidade. Agora, essa bagagem migra para o rádio com uma proposta multifacetada. O novo quadro vai ventilar temas essenciais: de saúde e comportamento a empreendedorismo criativo e cultura. O objetivo é claro: trazer uma linguagem plural e descontraída para fechar as manhãs com conteúdo que agrega valor ao dia a dia. A partir das 09h, a “trilha sonora” de tantas casas em Foz ganha um novo sotaque, focado na resolutividade e na conexão direta com a comunidade. Vida longa à Eliane em sua nova jornada!

Um bom final de semana a todos!

Rogério Romano Bonato participa todos os dias do programa Contraponto, na Rádio Cultura de Foz do Iguaçu, que completa 70 anos em 2026. A coluna No Bico do Corvo é uma excluisvidade do Almanaque Futuro e meios eletrônicos da RC.